UfSCar – Baseado em evidências científicas sobre a área, Assentamentos de Araras conservam e aumentam plantações de árvores e florestas

Pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) detectou que assentamentos de reforma agrária na cidade de Araras (SP) têm papel importante não só na conservação de áreas com árvores e matas, mas também na ampliação desses espaços por meio de novos plantios. Essas ações resultam, segundo as responsáveis pelo estudo, em aumento da biodiversidade, conforto térmico e segurança alimentar.

O objetivo foi mapear e quantificar as coberturas arbóreas e florestais em cinco assentamentos – Araras I, II, III, IV e Saltinho. As pesquisadoras coletaram informações junto ao Instituto de Terra do Estado de São Paulo (Itesp) e também utilizaram sistema de informação geográfica (SIG) com imagens de satélite, o que possibilitou a análise de evolução da ocupação do solo ao longo do tempo.

O estudo constatou que os assentamentos não só preservaram os componentes arbóreos e florestais já existentes quando chegaram (o mais antigo há cerca de 35 anos), mas também plantaram novas árvores, de espécies variadas, além de cercas vivas e outros componentes de vegetação.

Para melhor caracterização, os assentamentos foram divididos em três blocos: urbano (totalmente dentro da cidade), rural (afastado da cidade) e periurbano (na interface entre os espaços). A análise considerou toda a cobertura arbórea presente nos assentamentos, sem levar em conta as áreas de preservação permanente (APP) e reservas legais, que estão em áreas externas aos lotes e são obrigatórias por lei.

Os resultados revelaram que, somando áreas rural, periurbana e urbana de todos os assentamentos, a cobertura arbórea total é de 89,05 hectares, o que corresponde a 15% da área total de todos os lotes (582,8 hectares). O índice é quase equivalente às áreas protegidas por lei – que somam 20%.

“Isso significa que os assentados possuem, dentro de seus lotes e, portanto, por iniciativa própria, uma área quase do tamanho da reserva legal inteira de todos os assentamentos”, destaca Renata Evangelista Oliveira, docente do Departamento de Desenvolvimento Rural (DDR-Ar) do Campus Araras da UFSCar.

Oliveira foi a orientadora da pesquisa de mestrado de Bruna Aparecida Silva, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Rural (PPGADR-Ar), com coorientação de Adriana Cavalieri Sais, também docente do DDR-Ar, e de Eliana Cardoso Leite, docente do Departamento de Ciências Ambientais (DCAm-So) do Campus Sorocaba da Universidade. A dissertação resultante tem o título “Mapeamento, espacialização e caracterização do componente arbóreo na paisagem de assentamentos”.

Conectividade
O mapeamento dos componentes arbóreos nos assentamentos possibilitou, também, a avaliação de sua contribuição para a melhoria da conectividade, ou seja, existência de corredores ecológicos ligando fragmentos resultantes do desmatamento das florestas nativas. A fragmentação tem diversas consequências negativas, e estudos anteriores comprovam que os corredores ajudam no potencial de regeneração de espécies, ao facilitarem o deslocamento da fauna, de sementes e grãos de pólen.

No caso dos assentamentos, a pesquisa detectou que a conservação e os novos plantios pelos moradores contribuem para a conectividade. “Na área rural, a distância média dos componentes arbóreos apenas entre as áreas externas protegidas (APP e reservas legais), sem considerar os lotes, é de 111,34 metros; na periurbana, de 578,72 metros. Ao acrescentarmos, nos dados, a cobertura arbórea total, incluindo os assentamentos, a distância entre os componentes diminui para 11,36, na paisagem rural, e 13,08, na periurbana”, detalha Oliveira.

Conscientização
Para entender os motivos pelos quais as áreas arbóreas são conservadas e ampliadas, as pesquisadoras realizaram entrevistas com moradores de 16 lotes, escolhidos de forma aleatória. As respostas revelam a intenção de ter, no entorno de suas moradias, conforto térmico e segurança alimentar, com a produção de alimentos para consumo próprio e para comercialização, em um ambiente dominado pela monocultura da cana-de-açúcar.

“A motivação também está atrelada ao lazer, à beleza das árvores – as que dão flores, as que atraem pássaros… os assentados demonstram afinco em melhorar o ambiente em que moram. As respostas também mostraram a preocupação com o futuro, com o que vão deixar para os netos, por exemplo”, destaca a orientadora do estudo.

Parte dos resultados da pesquisa foi publicada em artigo – intitulado “Análise espacial da cobertura arbórea em paisagem de assentamentos de reforma agrária em Araras (SP, Brasil)” – na Revista Raega, que pode ser acessado aqui.

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Fonte: Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
www.ufscar.br Pauta: Adriana Arruda
Foto: Bruna Silva

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