Teve Covid? Entenda por que você deve fazer urgentemente um check-up e acompanhamento vascular

Incidência de trombose é maior em pacientes que tiveram Covid-19, chegando a ser três vezes mais frequente em quem experimentou casos severos da doença. Descubra os protocolos e recomendações para prevenir o problema.

Pacientes que tiveram Covid-19 podem sofrer com trombose semanas ou meses após a infecção, de modo que a incidência chega a ser três vezes maior em quem experimentou casos severos da doença. “É fundamental procurar um médico cirurgião vascular após a recuperação da doença, mesmo em casos menos graves. Na trombose, um coágulo sanguíneo se desenvolve no interior das veias das pernas devido à circulação inadequada, impedindo assim a passagem do sangue. O problema geralmente se manifesta como um quadro de dor na perna, principalmente na panturrilha, associado a inchaço persistente, calor, sensibilidade e vermelhidão o que vai levar quase sempre à procura de ajuda médica. Em casos mais raros, o coágulo pode ainda se desprender da parede da veia e correr pela circulação até chegar ao pulmão, causando uma embolia pulmonar que pode resultar até mesmo em morte súbita”, explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Essa é uma das graves complicações relacionadas a casos de Covid-19. “Isso acontece porque o agente patógeno causador da Covid-19 desencadeia um processo incomum de coagulação, favorecendo a formação de coágulos nas veias e, consequentemente, aumentando a incidência de quadros de trombose. Além disso, o Coronavírus também favorece o surgimento de trombose nos pequenos vasos, causando uma inflamação na parede das artérias e dos vasos”, explica a cirurgiã vascular.

Segundo a especialista, o aumento da predisposição de trombose parece ser mais uma das sequelas causadas pela Covid-19, que também incluem perda e diminuição do paladar e olfato e cansaço. “E esse efeito a longo prazo da Covid-19 independe da gravidade da doença, pois, em consultório, observamos a incidência de trombose tanto em pacientes que apresentaram graves sintomas quanto naqueles que foram assintomáticos”, alerta a médica. “A predisposição à trombose é ainda maior em pacientes que, além de terem sido infectados pelo Coronavírus, apresentam outros fatores de risco envolvidos no aparecimento da condição, como obesidade, tabagismo, uso de hormônios e pílulas anticoncepcionais, portadores de câncer, gestantes, idosos, deficientes físicos e portadores de varizes.” Mas é importante destacar: “Nem todos que apresentaram trombose tinham problemas circulatórios anteriores, e muitos estavam com idade entre 30 e 60 anos”, explica a médica.

Procurar um médico cirurgião vascular após os sintomas de Covid-19 é fundamental, pois ele iniciará um acompanhamento, com exames e recomendações importantes para evitar esse tipo de sequela. “Podemos solicitar exames laboratoriais para descartar doenças que predispõem a hipercoagulação e a realização de um eco Doppler venoso, um ultrassom que examina o vaso que está obstruído”, diz a médica. Além dos exames, é importante também investir em cuidados que auxiliam na prevenção da trombose. “Para evitar casos de trombose é recomendado que você pare de fumar, consuma bastante água, adote uma alimentação balanceada, realize exercícios físicos regularmente e evite passar muito tempo na mesma posição, seja no horário de trabalho ou em longas viagens, levantando-se de hora em hora para se movimentar um pouco”, aconselha a médica. “Em alguns casos, o uso de meias elásticas também pode ser indicado, já que essas meias comprimem os vasos sanguíneos, melhorando o retorno venoso e, consequentemente, prevenindo problemas vasculares como varizes e trombose”, diz a Dra. Aline.

“Mas a procura pelo profissional é fundamental para diagnosticar um quadro de trombose precocemente ou preveni-lo. Geralmente, o tratamento da doença inclui o uso de medicamentos anticoagulantes que vão ajudar na redução da viscosidade do sangue e na dissolução do coágulo, impedindo assim que esse cresça e avance para outras regiões e evitando a ocorrência de novos quadros de trombose”, finaliza.

 

Fonte: Alina Lamaita – Cirurgiã vascular

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