Revista Expressão Edição 156: O dom de encontrar um propósito em meio ao caos

Enfrentar um momento difícil na vida, que acontece muitas vezes sem avisar, pode abalar muito além do físico, pois também existe a possibilidade de causar danos para a saúde mental. Pessoas que sofrem acidentes ou que são acometidas por algum tipo de doença e têm as suas vidas abaladas por este acontecimento precisam procurar forças para se recuperar e continuar a seguir a vida.

Na teoria parece simples, contudo, na prática é bem diferente. Ter que se olhar no espelho e ver as marcas de queimaduras, machucados ou sequelas, pode ferir a alma, acabar com a autoestima e destruir com a confiança. Dessa forma, o tratamento para se curar a parte externa é muito importante, no entanto se a alma não for tratada de nada adianta, é preciso conciliar as duas partes para que estejam em equilíbrio de forma que a autoconfiança seja adquirida novamente. Neste sentido, o tempo é um grande aliado, afinal ele colabora para que as feridas se cicatrizem e se tornem marcas de superação.

O acompanhamento psicológico faz toda a diferença neste processo, pois ajuda as pessoas a se aceitarem e recuperarem o sentido da vida após um momento caótico que atravessaram sem um aviso prévio, já que a depressão, a ansiedade e a síndrome do pânico em alguns momentos insistem em fazer parte da vida dessas pessoas. Lidar com esses sentimentos nem sempre é fácil e contar com a ajuda de um profissional é crucial, além, é claro, do apoio e suporte de amigos e familiares.

Para entendermos melhor sobre este assunto, vamos conhecer a história real de duas pessoas que atravessaram um período de muitas lutas, mas que com o tempo, ajuda e dedicação conseguiram superar e hoje são referências para quem atravessa momentos de adversidade.

Ana Marília Rando
Atualmente com 39 anos, Ana Marília Rando passou um momento um tanto quanto complicado quando tinha 19 anos, visto que um dia acordou com paralisia facial, um fato que mudaria para sempre a sua vida. Como ainda era jovem, Ana não tinha noção das consequências que carregaria ao longo dos seus dias, pois achava que logo tudo voltaria ao normal, mas não foi o que aconteceu. Ao passar dos anos, ela fez diversos tratamentos e ficou sabendo que a paralisia aconteceu em decorrência de um vírus.

Há 4 anos, Ana precisou fazer um enxerto, tirando um músculo da coxa para colocar na face. A partir deste momento, ela afirma que sua vida foi transformada completamente em uma mudança que começou externamente e que lhe deu a possibilidade de se enxergar por dentro, elevando sua autoestima e fazendo com que ela se sentisse mais leve e se aceitasse como era, de maneira a enxergar um lindo propósito em tudo que tinha acontecido em sua vida.

Hoje, formada em bacharel em Direito e trabalhando com uma de suas maiores paixões, o artesanato, Ana vive a sua vida normalmente e ajuda outras pessoas que passam por problemas similares ao dela, compartilhando suas experiências e mostrando que é possível dar a volta por cima. Por isso, deixa uma mensagem de motivação: “É se amando que a gente se ergue! A paralisia facial tem um impacto emocional muito importante, pois mexe com a autoestima, a autoconfiança e traz insegurança. Dessa forma, o melhor conselho para quem passa por isso é: não se esqueça de se amar até mesmo quando a imagem refletida no espelho não for aquela que te satisfaz. Não esqueça a sua essência, quem é você de verdade além da aparência. Lembre-se que a essência nos acompanha até o fim. Ame-se. Confie. Descanse. O melhor antídoto contra o medo está dentro da nossa cabeça”.
Instagram: @ana_mrando

Nathalia Marciano Raimundo
Nathalia Marciano Raimundo é manicure e atualmente está com 28 anos, no entanto quase que a sua vida foi interrompida em abril do ano passado, quando estava em um churrasco e foi atingida pelo álcool que seria colocado na churrasqueira. O acidente fez com que Nathalia queimasse uma boa parte do seu corpo, incluindo pernas, braços e rosto, além de sua filha Natasha Eduarda Moraes, de 4 anos, que também foi atingida pelas chamas.

A manicure ficou 28 dias internada no hospital, 12 deles em coma, quando voltou precisou se adaptar à nova realidade, ingressou em alguns tratamentos, fez fisioterapia e lutou para retornar à normalidade dos seus dias. Foi um período de muita tribulação, mas mesmo desacreditada pelos médicos teve força e garra para superar. Então, voltou a trabalhar e acredita ter vivido um grande livramento, pois apesar das marcas físicas, ela conseguiu sobreviver e a sua filha não sofreu grandes queimaduras.

Até hoje tem dias que são difíceis, mas Nathalia vai superando todos eles e busca em sua família a força que precisa para seguir com seus objetivos. Ela também deixa uma mensagem de esperança a todos que estão passando por um momento complicado como o dela: “Por mais que seja difícil de superar as cicatrizes, eu agradeço a Deus por estar viva, voltar a trabalhar e poder cuidar dos meus cinco filhos. É complicado, mas é preciso superar o trauma, e considero que vivi um livramento que me fez mais forte.”
Superar nem sempre é fácil e romantizar momentos difíceis não faz eles se tornarem mais simples de serem vividos, é preciso realmente contar com apoio profissional para lidar com a saúde mental, além de encontrar possibilidades em meio às adversidades, pois o ato de se amar faz toda a diferença e é um processo que se alcança apenas tentando e não acontece de um dia para o outro, leva tempo, mas o que realmente importa é se reconstruir e encontrar forças para seguir adiante.

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