Prevenção é primordial no combate às doenças cardiovasculares

O Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo traz um evento sobre a doença que é a principal causa de morte no Brasil. O encontro, que também conta com a presença da Sociedade Brasileira e o Cuidado da Saúde Cardiovascular, vai tratar da doença cardiovascular que mata cerca de 400 mil brasileiros por ano.

“Ela é negligenciada pelo próprio portador dela. É uma doença silenciosa”, explica o professor Paulo Saldiva, do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina (FM) da USP, lembrando que, por esse motivo, há um caráter heterogêneo no perfil de quem morre pela doença cardiovascular. Um regime alimentar regrado, a prática de exercícios físicos e exames de sangue aparecem nesse cenário como alternativas para prevenção dessa doença.

Durante a pandemia, dada a emergência, os sistemas de saúde tiveram que mudar o foco de suas atenções para o tratamento da covid-19. E esse não foi o único obstáculo: “A própria covid é uma caixa de surpresas. Mesmo na fase aguda, já tivemos acometimento de outros órgãos, além do pulmão”, relata o professor José Eduardo Krieger, de Medicina Molecular na FMUSP, indicando que casos graves da covid-19 podem ser representados por impactos no sistema cardiovascular do contaminado pelo coronavírus.

Para fortalecer o combate às doenças cardiovasculares, especialistas apontam um caminho multidisciplinar, que pode até ser mais difícil em países como o nosso. “Um motorista de aplicativo, por exemplo, pode ficar sentado 14 horas por dia. Que horas ele vai se cuidar? A sobrevivência no Brasil é séria. As pessoas buscam primeiro trabalhar e depois cuidar de si próprias”, afirma Saldiva. Para reverter esse cenário, é preciso se ater à atenção primária e à conscientização. “Você tem que modificar hábitos e isso implica convencer a pessoa a mudar de vida e cuidar de si”, complementa.

O evento do IEA será entre os dias 27 e 30 de setembro. Nele, devem ser tratadas experiências na área acadêmica e farmacêutica no que concerne à doença cardiovascular. Krieger indica que, para problemas dessa categoria, tirar o caráter reativo da medicina é importante, o que fortalece o vínculo entre o profissional da saúde e o paciente. A prevenção passa a ser essencial para evitar quadro de doenças cardiovasculares. “A saúde é também um dever nosso”, conclui Saldiva.

 

Fonte: Jornal da USP

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