Prática de exercícios é fundamental na pandemia para melhorar imunidade e saúde geral do organismo

Time de especialistas explica os benefícios da prática de exercícios durante pandemia e dá dicas para realizá-los com segurança nesse período.

Desde o início da pandemia do Coronavírus, muitas pessoas perderam a disposição para praticar exercícios físicos, o que ainda foi agravado pela dificuldade de realizá-los nos momentos de completo isolamento social. No entanto, nunca foi mais importante apostar na prática regular de atividade física, afinal, os exercícios conferem uma enorme variedade de benefícios para o organismo, potencializado, inclusive, o sistema imune. “A atividade física é importante para manter o sistema imunológico em dia, pois quando nos exercitamos, temos uma produção maior de linfócitos, que são as células de defesa para combater o vírus”, explica o cirurgião plástico Dr. Mário Farinazzo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Além disso, os exercícios físicos também contribuem para a imunidade através do controle do peso. “A obesidade por si só gera uma alteração imunológica que predispõe à baixa imunidade e pior recuperação de patologias como o Coronavírus”, afirma a Dra. Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU. No entanto, se apenas a melhora do sistema imune não é suficiente para estimular você a começar a se mexer, listamos abaixo alguns outros benefícios que a prática de exercícios traz para o organismo:

– Melhora da saúde cerebral: De acordo com o Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA), pessoas que se exercitam regularmente têm menor risco de desenvolver a doença de Alzheimer. “O exercício melhora o fluxo sanguíneo, protege a memória e estimula mudanças químicas no cérebro que melhoram o aprendizado, o humor e o pensamento”, destaca. “O exercício mantém suas habilidades de raciocínio e raciocínio afiados. Além de melhorar a saúde do coração, exercícios regulares de resistência, como correr, nadar ou andar de bicicleta, também podem promover o crescimento de novas células cerebrais e preservar as células cerebrais existentes. Já o treinamento de força não é apenas para fisiculturistas. Levantar pesos ou usar uma faixa de resistência não apenas constrói músculos e fortalece os ossos, como pode aumentar também o poder do cérebro, melhorar o humor, aumentar a concentração e as habilidades de tomada de decisão”, diz o especialista.

– Controle do colesterol: Exercícios simples como subir escadas, se movimentar mais e fazer caminhadas são atitudes que ajudam a diminuir o colesterol. “Ser ativo por 30 minutos na maioria dos dias já pode ajudar a reduzir o colesterol ruim e aumentar o colesterol bom. E a redução do colesterol ruim é uma das coisas mais importantes a se fazer para promover a saúde geral do coração”, afirma o médico nutrólogo e cardiologista Dr. Juliano Burckhardt, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

– Redução do inchaço: Quando nos exercitamos ocorre um aumento no fluxo sanguíneo, o que faz com que haja maior transporte de oxigênio e nutrientes para os tecidos do organismo. “Como resultado, o sistema linfático passa a trabalhar mais rapidamente, promovendo a eliminação de toxinas do organismo com maior velocidade e diminuindo a retenção de líquido. Como resultado, há uma redução do inchaço, que também se torna menos frequente”, diz a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

– Diminuição do risco de trombose: O sedentarismo, isto é, a falta de atividades físicas, favorece o surgimento de trombose, uma condição que ocorre quando um coágulo sanguíneo se desenvolve no interior das veias das pernas devido à circulação inadequada, impedindo, assim, a passagem do sangue. “Em casos mais raros, o coágulo pode ainda se desprender da parede da veia e correr pela circulação até chegar ao pulmão, causando uma embolia pulmonar que pode até resultar em morte”, alerta a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. “Permanecer muito tempo parado e sem movimentar as panturrilhas faz com que a velocidade do sangue dentro dos vasos diminua. Por isso, é essencial fazer exercícios a fim de minimizar o risco de trombose”, diz a médica.

– Gerenciamento do estresse: Especialmente em um momento de grande ansiedade e estresse como o que estamos passando agora, a atividade física é uma grande aliada.  “Isso porque a atividade física diminui o nível de cortisol, popularmente conhecido como o hormônio do estresse, ao longo do dia, assim fazendo com que você se sinta mais calmo, além de também melhorar a qualidade do sono”, afirma a Dra Eloisa Pinho.

– Ação anti-idade: A prática de exercícios é uma excelente maneira de manter a pele bonita e saudável e prevenir o surgimento de sinais do envelhecimento como rugas e flacidez. “Ao consumir energia, os exercícios conseguem neutralizar esses radicais e melhorar o que chamamos de estresse oxidativo, um dos fatores envolvidos no envelhecimento da pele. Além disso, a atividade física utiliza adequadamente a energia proveniente dos carboidratos (açúcares) que consumimos, evitando assim a glicação do colágeno, um processo no qual o açúcar excedente liga-se às fibras de sustentação da pele, favorecendo o aparecimento de flacidez e rugas”, explica a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia. Como se não bastasse, a prática da atividade física ainda promove o estímulo da produção das fibras de colágeno e elastina, que são responsáveis por conferir sustentação e elasticidade ao tecido cutâneo. “Logo, há um risco menor da pele tornar-se flácida ou apresentar rugas e linhas de expressão precocemente, além de tornar-se mais firme, elástica e com menos sinais de envelhecimento”, diz a Dra. Paola Pomerantzeff.

Como fazer – De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o recomendado é realizar pelo menos 150 minutos de algum tipo de atividade física leve ou moderada por semana. “Isso significa pelo menos 30 minutos de algum exercício físico por cinco dias. Faça alongamentos, abdominais, dance ou busque treinos funcionais online”, diz a Dra Eloisa Pinho. “Dê preferência para a realização da atividade física no período da manhã, ou antes ou logo após o café, para quem tem problema de fazer exercício em jejum. Mas evite realizar os exercícios físicos à noite para não atrapalhar o sono”, recomenda o Dr. Mário Farinazzo.

Além disso, lembre-se que, por enquanto, o ideal ainda é realizar os exercícios e atividades dentro de casa para manter o distanciamento social. Mas, quem não tem espaço para se exercitar em casa e prefere realizar atividades na academia ou ar livre, não pode esquecer de usar as máscaras. “Mas tome cuidado redobrado ao realizar exercícios enquanto usa máscaras, pois o ar viciado dentro do equipamento, quando aliado à dificuldade de respiração adequada, pode causar mal-estar e tontura, aumentando assim o risco de acidentes”, ressalta a Dra. Aline Lamaita. Com a máscara, o aconselhado é que você pegue mais leve, realizando os exercícios com menos intensidade, sem chegar ao seu limite. E claro, caso sinta qualquer tipo de mal-estar ou tontura devido ao ar viciado da máscara, interrompa a realização do exercício.

 

FONTES: DRA. PAOLA POMERANTZEFF: Dermatologista, DRA. BEATRIZ LASSANCE: Cirurgiã Plástica, DR. MÁRIO FARINAZZO: Cirurgião plástico, DR. JULIANO BURCKHARDT: Médico Nutrólogo e Cardiologista, DR. GABRIEL NOVAES DE REZENDE BATISTELLA: Médico neurologista, DRA. ELOISA PINHO: Ginecologista e obstetra e DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular.

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