Novo estudo revela as profissões que serão mais contratadas no setor brasileiro de energia nos próximos anos

A pandemia de Covid-19 está acelerando ainda mais algumas tendências que já estavam em quinta marcha no setor elétrico brasileiro, trazendo assim uma perspectiva real e concreta de aumento na quantidade de postos de trabalho. A conclusão faz parte do estudo “Profissionais do Futuro na Área de Energia”, lançado nesta semana pelo Ministério de Minas e Energia. A previsão de geração de empregos no segmento para os próximos anos já vinha sendo comentada pelo ministro Bento Albuquerque (foto) em suas declarações. O trabalho indica, por exemplo, que o uso de medidores inteligentes e outros equipamentos automatizados estão gerando uma massa gigantesca de dados. Assim, dois perfis de profissionais ganham destaque: o cientista de dados e o profissional de segurança dos dados. Outros cargos como analistas de sistemas, analistas de TI, engenheiro de projetos, profissional da área de inteligência artificial (IA) também terão uma alta demanda já a partir dos próximos dois anos. Esses profissionais terão oportunidades não apenas no setor de redes inteligentes, mas também em energias renováveis e até mesmo em mobilidade elétrica.

Além disso, empresas e executivos ouvidos durante a pesquisa também destacaram que o profissional do futuro deverá ser multidisciplinar – isto é, possuir um currículo que trate de temas como plataformas digitais e programação, assim como conhecimentos atrelados ao setor elétrico. [A publicação está disponível para download em português.]

O estudo aponta que a demanda por profissionais em geração renovável, por exemplo, já está alta e deve continuar em patamar elevado em um longo horizonte de tempo. Citando outros trabalhos, a pesquisa do MME estima que a energia eólica pode gerar 200 mil novos empregos diretos e indiretos até 2026. Já o segmento solar fotovoltaico brasileiro já gerou  mais de 165 mil empregos desde 2012, com 5,7 GW de potência operacional total e tendência de expansão pelos próximos anos.

“O crescimento da área de renováveis demandará profissionais que entendam de novas interfaces eletrônicas de energia. Além disso, serão necessárias capacidades aprimoradas de modelagem e simulação; e conhecimento dos avanços em comuni[1]cação, controle e otimização para mitigar os impactos da variabilidade e incerteza na geração de sistemas de energia”, indicou o estudo.

Na parte de energia eólica, as principais áreas demandadas são de engenharias para projetos e implementação dos sistemas, especialistas/técnicos em meio ambiente – para avaliação dos efeitos do parque no ambiente, e especialistas/técnicos em climatologia para encontrar locais adequados para a implementação do projeto. Enquanto isso, no segmento de micro e minigeração solar fotovoltaica, os mais contratados nos próximos anos serão projetistas, engenheiros, técnicos elétricos, técnicos de instalação e profissionais de manutenção dos sistemas.

Nos aspectos de redes inteligentes de transmissão e distribuição, o estudo do MME  lembra que a regulação do país sobre essa área ainda está sendo aperfeiçoada. O trabalho aponta também que as tendências de digitalização e informatização vão aumentar a procura por profissionais com especialização em tecnologias envolvendo Internet das Coisas (IoT), Digital Twin, Big Data e Machine Learning, bem como perfis nas áreas de automação e cibersegurança, controle e operação do sistema elétrico.

O uso de medidores inteligentes ou outros equipamentos automatizados, por exemplo, vão criar uma nuvem gigantesca de dados. Nesse cenário, as oportunidades despontam para dois perfis de profissionais: o cientista de dados, para coletar, analisar e filtrar os dados; e também o profissional de segurança dos dados, visto que medidores inteligentes traçam um perfil de consumo muito detalhado e específico dos consumidores.

Os medidores inteligentes viabilizam parte importante do processo de digitalização das redes elétricas, além de modernizar e permitir novos modelos de negócios na relação entre forneci[1]mento de energia e consumidores, demandando perfis relacionados a TI no setor elétrico e com[1]petências em novas tecnologias, como por exemplo o potencial de aplicação de Blockchain”, destacou o estudo.

Veja abaixo uma tabela do estudo que como será a demanda por determinados perfis de profissionais no setor elétrico brasileiro nos próximos anos:

PREVISÕES DE GERAÇÃO DE EMPREGOS NO SETOR DE ENERGIA PARA OS PRÓXIMOS ANOS

Começando pela geração renovável, o estudo cita dados da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que apontam para 200 mil novos empregos diretos e indiretos gerados na cadeia eólica brasileira até 2026.

Na geração solar, a publicação do MME aponta dados da ABSOLAR, que indicam que o setor gerou 40 mil novos postos de trabalho no país no primeiro semestre de 2020, totalizando mais de 160 mil empregos gerados desde 2012. “Esses números representam um avanço, mas ainda tendem a aumentar, frente ao grande poten[1]cial no país, seja na mini e microgeração distribuída, em grandes usinas ou em sistemas isolados em áreas remotas”, prevê o estudo.

Na área de tecnologia, o Brasil deve assistir a criação de 9 milhões de novos empregos até 2025, sendo 6,3 milhões na área de desenvolvimento de software; 1,4 milhões em nuvem e dados; mais de 880 mil na área de análise de dados, machine learning e IA; aproximadamente 350 mil empregos em cibersegurança; e 84 mil empregos em privacidade de dados.

A pesquisa foi desenvolvida no âmbito do projeto Sistemas de Energia do Futuro, parceria entre o MME e o Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha (BMZ, na sigla em alemão), por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. O projeto se dedica à integração de energias renováveis e de novas tecnologias para a eficiência energética no Brasil, além de promover a troca de experiências entre países.

 

 

Fonte: Petro Notícias (WWW.petronoticias.com.br)

 

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