Mrs. America mostra história de PhyllisSchlafly, ativista conservadora que lutou contra os movimentos por Direitos Iguais nos EUA

Descobri Mrs. America um dia atrás ao rever a lista de indicados ao Emmy deste ano. Quando me deparei com os indicados pela primeira vez, não reconheci o nome da produção. Nunca tinha ouvido falar. A história me interessou e bastou o primeiro episódio para eu querer ver mais. Ainda não terminei a série, então trago aqui as primeiras impressões da produção.

Mrs. America logo de cara se mostra ser um drama muito inteligente. A minissérie traz Cate Blanchett no papel de PhyllisSchlafly, ativista conservadora que liderou uma campanha nos anos 70 contra o movimento dos direitos iguais nos Estados Unidos, porém, para meu espanto, sem transformá-la em uma simples vilãanti-feminista. Ao conhecer a história de Schlafly – antes mesmo de ver a série – eu já não gostei dela. Nada pessoal, mas Schlafly foi uma grande figura contra um movimento que foi – e ainda é – mais do que necessário para nossa atual conjuntura. Não é uma pessoa que simplesmente admiro. Contudo, a forma como a série se afasta dessa ideia de polarização de personagens como “mocinho” ou “vilão” é sensacional e me fez capaz de nutrir um sentimento de empatia por Schlafly.

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Phyllisé uma especialista em defesa e política nuclear, autora que virou esposa-modelo e mãe de seis filhos. Apesar de uma candidatura malsucedida para uma vaga no Congresso, ela ainda deseja uma posiçãopolítica e com sua experiência e conexões, consegue uma reunião com alguns homens para discutirem sobre a política nuclear nos Estado Unidos. Durante a reunião, Phyllis é interrompida e pedem para que ela apenas faça anotações da conversa. Neste momento, ela percebe que a melhor – e única – maneira de colocar o pé na porta é por meio de uma questão “apropriada” para seu sexo, e começa a trabalhar contra a aprovação daEmenda sobre Direitos Iguais na década de 70. “Algumas mulheres”, ela explica sorrindo, “gostam de culpar o sexismo por seus fracassos em vez de admitir que não se esforçaram o suficiente”. A ativista se torna uma grande figura contra a Emenda com seu discurso populista de tradição e estabilidade da família tradicional brasileira americana, estimulando as mulheres a escolherem a felicidade no matrimônio e no lar e associando todo o movimento a serviço militar obrigatório para as mulheres e banheiros mistos.

DahviWaller, criadora da série, traz complexidade a personagem que é muito bem elaborada. Por mais que eu não concorde com nada que Schlafly defenda, não consigo defini-la como “boa” ou “má”. Apenas complexa e cheia de nuances, graças a um roteiro extremamente bem desenvolvido.A minissérie ainda traz grandes figuras do movimento feminista como Gloria Steinem (Rose Byrne), Shirley Chisholm (Uso Aduba) e Betty Friedan (TraceyUllman) como um paralelo à empreitada de PhyllisSchlafly.

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Ainda estou nos primeiros episódios, mas Mrs. America já me mostrou ser uma das melhores produções do ano. Infelizmente não está disponível em nenhuma plataforma de streaming ou emissora no Brasil, mas definitivamente merece sua atenção.

Por Letícia Justino
Instagram: @leejustino_
Twitter: @leejus_

Imagens: Divulgação

 

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