Gestantes com Covid-19 grave e seus bebês enfrentam mais riscos antes e após parto, diz estudo

Publicado no final de setembro no American Journal of Obstetrics and Gynecology, o estudo mostrou que gestantes podem sofrer com parto precoce e pré-eclâmpsia, enquanto há casos de bebês com sangramento cerebral, dificuldade respiratória e inflamação intestinal

Gravidez

Apesar da curva descendente no número de casos e mortes pelo Novo Coronavírus em grande parte do país, as pessoas ainda devem manter os seus cuidados para evitar o contágio, principalmente aquelas dos grupos de risco – como as gestantes. E um novo estudo publicado no final de setembro no American Journal of Obstetrics and Gynecology concluiu que mulheres grávidas com Covid-19 grave ou crítico e seus bebês em gestação enfrentam maiores riscos à saúde antes e após o parto. “O estudo também descobriu que mulheres grávidas com casos leves da doença tiveram resultados semelhantes em comparação com aquelas que não estavam infectadas”, afirma o Dr. Rodrigo da Rosa Filho, ginecologista obstetra especialista em reprodução humana e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).

Os pesquisadores analisaram 183 mulheres grávidas que deram à luz entre 16 e 41 semanas de gestação entre março e junho de 2020, comparando 61 que foram diagnosticadas com Covid-19 e 122 que não estavam infectadas. Entre os casos positivos, 54 eram leves, seis eram graves e um era crítico. “Eles descobriram que mulheres negras e hispânicas, obesas, com mais de 35 anos e aquelas com condições médicas como diabetes e pressão alta estavam em maior risco de ter Covid-19 grave ou crítico. “Essas mulheres estavam em risco de parto precoce, pré-eclâmpsia, necessidade de oxigênio suplementar ou ventilação mecânica e permanência hospitalar prolongada”, diz o obstetra.

Segundo o estudo, os riscos neonatais, que foram em grande parte impulsionados por partos prematuros, incluíram dificuldade respiratória, sangramento no cérebro, inflamação intestinal, frequência cardíaca fetal anormal apesar das intervenções para aumentar o oxigênio e o fluxo sanguíneo para a placenta e maiores admissões na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

Mais de 60% das mulheres grávidas com um caso leve de Covid-19 eram assintomáticas; o restante teve tosse, febre e dores musculares. “Todas as mulheres com Covid-19 grave e crítico precisaram de oxigênio suplementar, e algumas receberam outras intervenções, como medicamentos imunossupressores nos estágios iniciais e esteroides”, afirma o médico.

Medidas de prevenção – As gestantes, puérperas e os familiares devem tomar as mesmas medidas de precaução amplamente divulgadas na mídia para redução do contágio da doença. “É necessário evitar contato próximo com pessoas apresentando infecções respiratórias agudas; lavar frequentemente as mãos (pelo menos 20 segundos), especialmente após contato direto com pessoas, superfícies e antes de se alimentar; se não tiver água e sabão, usar álcool em gel 70%, caso as mãos não tenham sujeira visível; evitar colocar a mão no rosto; higienizar as mãos após tossir ou espirrar; usar lenço descartável para higiene nasal; cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir; não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas; manter os ambientes limpos (com detergente, água sanitária e álcool de limpeza) e bem ventilados”, diz o Dr. Rodrigo Rosa. “Se a paciente tiver sintomas como falta de ar ou febre, ela deve procurar ajuda médica”, finaliza o obstetra.

Fonte:

*DR. RODRIGO DA ROSA FILHO: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo.

Imagem: Divulgação

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