Dicas para amenizar os inchaços e problemas de circulação que surgem durante a gravidez

O terceiro trimestre de gravidez parece atingir em cheio o corpo da mulher, com mudanças importantes que provocam o temido inchaço. Mas existem algumas dicas para amenizar essa situação

Durante os nove meses de gestação, muitas mudanças ocorrem no corpo das mulheres grávidas. E é muito normal que, nesse período, surjam alguns inchaços e problemas de circulação, especialmente a partir do terceiro trimestre. “A retenção de líquidos na gravidez é um mecanismo hormonal, principalmente devido ao aumento da progesterona. Há um aumento de 25% a 35 % de volume de sangue e fluidos circulando no corpo da mãe”, explica o Dr. Rodrigo da Rosa Filho, ginecologista obstetra especialista em reprodução humana e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).

De acordo com o médico, no primeiro trimestre, a barriga ainda não apareceu — mas os hormônios já estão à flor da pele e existe um aumento importante da volemia (quantidade de sangue circulante no corpo), afinal deve ser formada uma placenta. “O aumento da progesterona pode causar uma flacidez das veias o que pode levar a inchaço, dor nas pernas, tonturas e sensação de queimação”, comenta a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Para muitas mulheres, a melhor fase da gestação é o segundo trimestre, quando a barriga ainda não está muito grande, o corpo já se adaptou ao aumento da volemia e variação hormonal e as reclamações mais comuns ficam por conta das câimbras à noite.

No entanto, é no terceiro trimestre que as coisas pioram. “Como a barriga atinge seu apogeu e junto com ela existe uma compressão importante da Veia Cava (dentro da barriga), isso prejudica terrivelmente o retorno do sangue das pernas”, afirma o Dr. Rodrigo. “Estes líquidos extravasam pelos vasos e atingem os tecidos causando edemas indolores. Além disso, o útero faz pressão sobre as veias dos membros inferiores, dificultando o retorno do sangue, causando inchaço nas pernas, tornozelos e pés”, diz o médico. “Claro que quanto maior for o ganho de peso durante a gestação, mais sofrido será esse período. Grávidas com estilo de vida mais prejudicado por ganho de peso e sedentarismo apresentam piora do inchaço, das varizes, tromboflebites e até trombose”, diz a Dra. Aline Lamaita.

Porém, mesmo aquelas com bons hábitos de vida podem sofrer com inchaço, afinal 98% das mulheres enfrentam o problema na gravidez. Algumas medidas podem ser tomadas para diminuir e aliviar os inchaços, segundo o médico:

– Diminuir o consumo de sal e alimentos muito condimentados, embutidos contêm taxas elevadas de sódio;

– Fazer uma caminhada leve, pois isto melhora a circulação;

– Beber água para a melhora a função renal, reduzindo a retenção de líquidos;

– Usar meias de compressão, porque elas comprimem os vasos sanguíneos, evitando o inchaço;

– Sempre que estiver deitada, colocar as pernas em cima de uma almofada alta para facilitar o retorno de sangue para o coração;

– Fazer um escalda pés alternando entre água quente e fria.

Segundo a Dra. Aline, mesmo se todas as orientações forem seguidas, não é incomum que pacientes observem uma piora no aspecto de suas pernas, com vasinhos e veias dilatadas. “Mas para esse caso, não precisa se desesperar, já que grande parte disso involui depois do parto, por isso a necessidade de esperar pelo menos três meses após o parto, retorno do útero ao seu tamanho original para cogitar qualquer tratamento para varizes ou vasinhos”, pontua a médica.

O Dr. Rodrigo enfatiza, no entanto, que quando este inchaço ocorre na região do rosto e das mãos merece atenção. “Ou quando ocorre de forma repentina ou muito acentuada, sentir dor de cabeça intensa, enjoos e visão turva ou embaçada, enfim, essas são condições que devem ser informadas ao obstetra, já que pode ser sinal de pré-eclâmpsia e necessitar de cuidados especiais”, finaliza o Dr. Rodrigo da Rosa Filho.

 

FONTES:

*DR. RODRIGO DA ROSA FILHO: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo.

*DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular, Dra. Aline Lamaita é membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018). A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557 http://www.alinelamaita.com.br/

Imagens: Divulgação

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