Dia da Visibilidade Trans: entenda a ação e a importância das cirurgias de redesignação sexual

29 de janeiro marca o Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais, que tem como objetivo combater o preconceito e o estigma direcionados a indivíduos cuja identidade de gênero, ou seja, o gênero com o qual se identificam, não corresponde ao sexo biológico, o que faz com que sofram com grande desconforto devido a seus corpos, levando, consequentemente, a sérios problemas psicológicos que vão desde ansiedade e estresse até depressão e suicídio. Mas estudos1 apontam que as cirurgias plásticas e de redesignação sexual possuem um papel importante na garantia de qualidade de vida e bem-estar para esses indivíduos, inclusive reduzindo significantemente a probabilidade desses pacientes procurarem tratamentos para transtornos mentais, como depressão e ansiedade ou tentativa de suicídio. Por isso, no Dia Nacional da Visibilidade Trans, é fundamental a discussão sobre a importância da garantia desses procedimentos para essa população marginalizada. “Quando o assunto são as cirurgias para pessoas transgêneros, muitos pensam apenas nas cirurgias de redesignação sexual propriamente ditas, que, no caso de mulheres transexuais, pode incluir a amputação do pênis e a construção da vagina ou, quando a redesignação é do sexo feminino para o sexo masculino, a reconstrução do pênis no lugar da vagina. Mas o processo de readequação ao gênero ao qual a pessoa pertence não se resume apenas nisso”, diz o Dr. Mário Farinazzo, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Além de acompanhamento psicológico e psiquiátrico e da terapia hormonal orientada por um endocrinologista, cirurgias plásticas comumente realizadas pelo público geral também possuem grande impacto sobre a saúde mental e o bem-estar físico de pessoas transexuais, como é o caso das técnicas de mamoplastia. “A mamoplastia redutora, por exemplo, confere excelentes benefícios para homens transgêneros, pois tem como objetivo a retirada das glândulas mamárias, gordura e pele em excesso da região para que as mamas fiquem correspondentes ao gênero com o qual o paciente se identifica”, explica a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery). Já a mamoplastia de aumento é uma opção excelente para mulheres transexuais que desejam seios maiores do que aqueles conquistados apenas por meio do uso de hormônios. “A mamoplastia de aumento consiste no implante de uma prótese de silicone, por cima ou por baixo do músculo peitoral, para conferir volume às mamas, sendo que o tamanho da prótese pode variar de acordo com o caso e deve ser escolhido em uma conversa entre o cirurgião e a paciente, levando em consideração fatores como o corpo, o tamanho do tórax e a estatura”, destaca a médica.

As cirurgias estéticas faciais também são muito recomendadas para pacientes de ambos os gêneros que desejam uma melhor harmonia do rosto. Por exemplo, homens transgêneros que desejam conquistar uma mandíbula mais forte e um contorno facial mais destacado podem optar pela mentoplastia. “Nesses casos, o tratamento pode ser feito através de próteses de queixo e mandíbula ou com preenchimentos de hidroxiapatita de cálcio ou ácido hialurônico, que são absorvíveis”, afirma a Dra Beatriz Lassance. No campo das cirurgias faciais, a rinoplastia também se destaca, principalmente entre mulheres transexuais que desejam afinar o nariz e torna-lo mais delicado. “A rinoplastia é o procedimento que altera a estética do nariz através da manipulação de estruturas como cartilagem, osso e pele, visando proporcionar um aspecto natural e conferir harmonia à face. Com a rinoplastia é possível alterar o tamanho ou formato do nariz, mudar a largura das narinas, realinhar o ângulo entre o nariz e o lábio superior e até mesmo resolver problemas respiratórios”, diz o Dr Mário.

As cirurgias de remodelação do corpo também são trazem grandes benefícios para pacientes transgêneros. Mulheres transexuais que desejam um corpo mais harmônico, por exemplo, podem optar pela lipoescultura. “Nesse procedimento, a gordura, após ser lipoaspirada por meio de uma cânula, é enxertada novamente no corpo para dar volume em outra área, como nos glúteos, sendo que parte dessa gordura é absorvida pelo organismo após certo tempo”, completa a Dra Beatriz.

Mas a importância da discussão sobre a falta de acesso de pessoas transexuais aos procedimentos estéticos e de redesignação sexual vai muito além da questão do bem-estar e saúde mental. “Isso porque a negação das cirurgias plásticas e de redesignação sexual para pessoas transgêneros também aumenta a probabilidade dessa população de buscar tratamentos alternativos extremamente prejudiciais, incluindo o uso não supervisionado de medicamentos hormonais e a realização cirurgias plásticas e procedimentos estéticos de alto risco, como a implantação de próteses de silicone de baixa qualidade por profissionais não especializados”, alerta o Dr Mário Farinazzo. “É visível então como as cirurgias de redesignação não são apenas uma questão de opção para pessoas transgêneros, mas sim uma questão de saúde pública que ainda precisa de muita atenção”, finaliza o médico.

 

Fontes: Dra. Beatriz Lassance (cirurgiã plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC) e Mário Farinazzo(cirurgião plástico, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica).

Imagem: Divulgação

 

1https://ajp.psychiatryonline.org/doi/10.1176/appi.ajp.2019.19010080

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