Defending Jacob – Até onde somos capazes de ir para defender quem amamos?

Esses dias terminei de ler Em Defesa de Jacob de William Landay. Cheguei ao livro depois de ter assistido à minissérie homônima produzida pelo streaming Apple TV+ e percebi por meio das minhas redes sociais, que uma parcela significativa não havia lido, assistido, ou se quer, ouvido falar de Defending Jacob. Pois aqui estou para trazer as boas novas sobre essa minissérie extremamente viciante.

Andy Barber (Chris Evans) é o promotor veterano e respeitado de uma cidade norte-americana e é chamado para investigar o assassinato brutal de um adolescente, Ben Rifkin, cujo corpo foi encontrado esfaqueado em um parque local da cidade. Logo no início da investigação, Andy é afastado do caso, pois seu filho, Jacob (Jaeden Martell) e colega de classe da vítima, se torna o principal suspeito do caso. Com essa sinopse você deve estar pensando que Defending Jacob é mais uma série criminal ou algo semelhante. A primeiro instante foi o que pensei também, mas a minissérie vai muito além de uma busca implacável para solucionar o grande mistério da história e encontrar o assassino de Ben Rifkin.

Defending Jacob é sobre família e de que forma ela é afetada com uma situação dessa, nos mostrando até onde um pai pode ir para defender seu filho. A produção da Apple TV+ consegue deixar nossa bússola da moralidade abalada e coloca vários dilemas à prova. O que você faria para proteger alguém que ama? Faria até mesmo algo ilegal afim de proteger sua família?

Acompanhamos a história pelo ponto de vista de Andy durante as investigações e em cenas no futuro – flashforwards – em que o promotor está claramente abalado e melancólico e é interrogado em um grande júri por algo que não sabemos até os últimos instantes. Essa característica melancólica que vemos em Andy nos flashforwards é consolidada na fotografia da minissérie que conta com uma paleta de cores que abusa de tons frios, azulados e deprimentes, fortalecendo e reafirmando o sentimento depressivo da obra.

Falando um pouco sobre o elenco, quando comecei a assistir a minissérie, não imaginava que Chris Evans poderia ser algum personagem além do Capitão América e galã de filmes de comédia romântica, mas ele me provou que é capaz. Evans consegue trazer a personificação verídica do desespero de um pai visivelmente abalado que só quer proteger seu filho, pois para ele, Jacob jamais seria capaz de cometer a atrocidade da qual é acusado, tornando Andy Barber, a melhor atuação da sua carreira.
Defending Jacob ainda conta com Michelle Dockery (Downton Abbey) no elenco, interpretando Laurie Barber, mãe de Jacob. Os dilemas da personagem de Dockery em relação ao seu filho são dolorosos. É possível sentir do outro lado da tela o drama e desespero de Laurie quando ela começa a ter algumas dúvidas de seu próprio filho. Uma das últimas cenas com Laurie dirigindo é de tirar o fôlego, só quem já assistiu sabe do que estou falando. Jaeden Martell como Jacob não deixa a desejar e mostra que esse papel foi uma combinação perfeita para Martell, que entrega uma atuação exímia.

Como é de se esperar, uma obra baseada em um livro sempre terá divergências e alguns detalhes distintos da obra original, isso é presente em Defending Jacob, contudo, nenhuma dessas alterações prejudicaram o arco da história, o desenvolvimento dos personagens ou a experiência individual com a minissérie, mesmo com os finais sendo diferentes.

Defending Jacob mostra que tem potencial para se firmar como uma das melhores minisséries de 2020 e até concorrer a algumas indicações nas premiações estadunidenses de 2021. São 8 episódios com uma hora de duração, mas não espere todas as respostas ao fim do oitavo episódio, pois o assassinato e todo o mistério em volta dele é secundário, o plot real dessa produção é a família e até onde vamos para defender quem amamos.

Confira o trailer:

Por: Letícia Justino
Instagram: @leejustino_
Twitter: @leejus_

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