Consciente da vulnerabilidade de existir, provoco desistências e decisões na alma.

Desisto de confundir quietude com covardia. Me proponho a encarar cada esquina como um desafio e não resmungarei com as consequências do lado que escolher.

Desisto de viver saudosismos tristes. Meu carrossel não anda para trás. Meu tempo é indelével; sei que mastiga quem insiste em resisti-lo e premia quem o abraça. A recusa de soltar o que se foi, me adoeceria.
Minha esperança renasce inclusive dos escombros da memória.

Desisto de aplacar o ódio de quem não me conhece. Não sei reverter antipatias. As agulhas que tentam me ferir são mais numerosas do que imagino e já não tenho fôlego para quebrar cada uma delas. Prefiro permanecer indefensável. Contento-me com poucos amigos. Desejo as verdades do afeto, elas que geram candura.

Decido me reinventar sem medo de patrulhas. Largo mão de me mostrar útil, certinho, adequado aos cadernos quadriculados. Desvisto-me do esforço de impressionar quem jamais seria amigo.

Decido exorcizar a rispidez como se fosse um demônio. Quero bondade na raiz das minhas iniciativas. Desejo aprender a reverenciar o próximo e o estrangeiro. Que eu jamais confunda sinceridade com insolência; e que graça tenha o primeiro lugar em meu coração.

Decido redescobrir Deus no rosto da criança sofrida, na mão suplicante do miserável e no olhar do ancião abandonado. Vou celebrá-lo nas iniciativas solidárias e na obstinação dos que defendem o oprimido.

Decido assustar o espantalho da morte para que se atrase e não frustre meus planos.
#ricardogondim

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