Combustíveis e alimentos fazem inflação chegar próximo de dois dígitos

Combustíveis e alimentos foram os maiores responsáveis pela alta do IPCA de agosto, comparado a julho de 2021. O grupo transportes foi responsável pela maior alta da inflação (1,46%), com o preço dos combustíveis chegando a 2,96%.
 
O item alimentação e bebidas apresentou a segunda maior alta, 1,39%. A alimentação em domicílio, 1,63%, foi impulsionada pelo preço dos alimentos, como batata-inglesa, 19,91% e café moído, 7,51%. Já a alimentação fora do domicílio, 0,76%, deve contribuir ainda mais para a inflação nos próximos meses, dada a retomada de atividades em bares e restaurantes.

O IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de agosto constitui a maior variação desde 2000, registrando uma alta de 0,87%, acima da expectativa da GO Associados (0,74%) e do mercado (0,71%).  A inflação acumulada em 2021 até julho foi de 5,86%, superando, em apenas oito meses, a meta para 2021 (5,25%).
 
A GO Associados atualizou sua projeção do IPCA para 2021, de 7,3% para 7,6%, devido à perspectiva de um câmbio em patamar mais alto pelo restante do ano e a confirmação da bandeira de escassez hídrica.

O câmbio é atualmente o principal fator de pressão para alguns itens da inflação, como o gás de cozinha e os combustíveis. Outros fatores, como a crise hídrica e a retomada do setor de serviços também pressionam o ritmo de aumento dos preços.  
 
Conta de luz deve impactar em setembro

O grupo habitação, e em especial a conta de luz, tiveram um impacto menor na inflação em agosto. Porém, isso não deve ocorrer em setembro, quando passa a vigorar a bandeira de escassez hídrica, 14,20 a cada 100kWh. A GO Associados estima que o impacto da mudança de bandeira tarifária será de aproximadamente 0,4 p.p..  
 
Ainda no setor de habitação, o gás de cozinha (2,40%) e o gás encanado (2,70%) também contribuíram para o resultado da inflação. O Governo Federal editou uma Medida Provisória em março que zerou os impostos federais (PIS/Confins) sobre o botijão de gás. No entanto, tal providência não foi suficiente para a redução do preço do botijão, já que outros fatores são mais importantes, como o câmbio e o preço do petróleo no mercado internacional.  
 
O preço do gás é formado com base no mercado internacional e, portanto, sofre pressão do dólar, que tem ficado acima dos R$5 em razão da instabilidade política no Brasil. No acumulado de 12 meses, o preço do botijão de gás disparou 31,70%, mais de três vezes acima do índice de inflação.  
 
No Minuto de Economia desta quinta-feira (9), a GO Associados apresenta outras análises correspondentes a estas variações, além de indicar itens que podem influenciar a inflação nos próximos meses. Acesse o documento em: https://goassociados.com.br/minuto-de-economia-91/.

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